quarta-feira, 17 de junho de 2009

Baineiros, um povo das Gerais e não das Minas

Por Bárbara K. Moraes de Camargo


Mineiro é aquele que nasce e cresce nas Minas Gerais. Que apesar de serem muitas, como quis Guimarães Rosa, é, enfim, uma só. Um lugar uno.

Mas, por trás desta imagem homogênea do estado mineiro que conhecemos (a única) - envolta pelos símbolos geográficos das Minas e seus mares de montanhas, pelos signos das cidades históricas e auríferas das Minas Geratrizes, existe na porção ‘Gerais’ do nosso Estado, outra realidade. Um ‘entre-lugar’ chamado Norte Sertanejo.
Nele vive um personagem etnográfico possante, conhecido como Baianeiro.


Os Baineiros, habitantes do extremo norte de Minas Gerais, quase na divisa com Bahia, não se assumem mineiros. Mas, também não se identificam com os vizinhos baianos, com quem fazem fronteira. Eles, espécie de seres não-geográficos, bastardos geopoliticamente do estado mineiro, se intitulam, convictamente, como norte-mineiros, apenas. Apesar de serem designados, por convenção, como Baianeiros. Vivem em um espaço social não reconhecido pela sociedade mineira e, também, em situação de margem. Não só de Minas com Bahia, mas também as margens sociais.

São quase personagens míticos, de tão relegados e esquecidos. Vivem nas áreas não-estruturadas do estado, na vastidão do território sertanejo, nos Gerais – quente e pastoril. Um lugar não reconhecido e enunciado pela história e discurso sobre Minas Gerais.
Possuem características culturais diferentes daquilo que se convencionou como cultura mineira.
Os baianos não os vêem como mineiros, e os mineiros, por sua vez, os julgam: baianos (pela característica nordetina).


Esta confusão de nomenclatura que parece ser somente um problema de ordem designativa transcende para questões antropológicas importantes, e nos obriga a repensarmos e re-engendrarmos nossa concepção sobre ‘Minas Gerais’ e suas representações limitadas e excludentes, que nos faz pensar que Minas são uma coisa só. E Não múltipla.

O Baianeiro e sua condição de margem na sociedade mineira é o emblema da profecia de Guimarães Rosa que já pregava que Minas Gerais são muitas. No mínimo oito. É a ‘Minas’ geratriz, do ouro; é a Mata cismontana, é o Sul, cafeeiro, de terra-roxa e colinas européias; é o Triângulo; o Oeste, fazendeiro e político; o Norte; o Centro, do vale do rio das Velhas, calcário, ameno e, o Noroeste, dos chapadões e dos campos-gerais.
Mas, Minas Gerais como é reconhecida, legitima somente as Minas Geratrizes, que tingem o nome do estado.
É perante esta realidade montanhosa, reluzente e portuguesa, que osbcurece todas as outras regiões do estado e suas peculiaridades geográficos e culturais, que os baianeiros, em uma espécie de exercício projetivo, não se vêem refletidos. Não se identificam frente a este universo mineiro-europeu, montanhoso e fértil. O baianeiro cerceado a seu espaço, isolado e esquecido, só descobre sua identidade quando se desloca para outras regiões, dentro ou fora do estado. Só entendem quem são quando vivenciam a realidade alheia e nela não vêem seu semelhante. Ou seja, um mineiro qualquer. Um baiano. Eles se vêem, diferentes, metade de um, metade de outro: Norte-mineiros.


No plano macro – no âmbito nacional -, os baianeiros, também se vêem excluídos, pois sua origem, sua etnia e seus hábitos culturais, embasados no signo do sertão, da mestiçagem e da cultura folclórica não são os tipos antropológicos ascendidos e legitimados pela sociedade de um modo geral. Os valores hegemônicos, que norteiam o modos operandi da sociedade brasileira, nos primórdios e atualmente - sempre foram produtos de uma formação cultural ocidental européia. Apesar, da nossa essência mestiça. Os parâmetros que hoje temos como perfil etnográfico ideal, desprezou o não-branco, o selvagem. Privilegiou, recortou, impôs uma realidade estrangeira ao nosso território e a nossa cultura, que se perfez, depois, sincretista.


Os baianeiros, gente cafuza e do sertão, que se originou da miscigenação do negro fugido com o índio nos idos século XVII e XVIII, donos de culturalismos peculiares - são a antinomia da figura do navegador europeu, que no caso brasileiro, se concretizou na figura do homem litorâneo – bandeirante, desbravador. Letrado e próspero. Que propalou ao longo da nossa história os discursos e representações que hoje conhecemos, e podemos desmitificar.


É por causa do enraizamento deste discurso do colonizador – centro propagador de idéias – que foi possível incutir um pensamento dominante no imaginário social, que preza os valores do branco europeu e destituí, empobrese tudo que destoa do seu modelo. O sertão é o oposto do litorâneo. O branco do preto. Do mestiço.

Se “às minas foram jogadas todas as luzes, por sua civilização vinculada ao ouro, por sua cultura urbana e por sua identidade tornada hegemônica; aos gerais e suas especificidades obscurecidas foram vinculadas à barbárie, à natureza e à poluição, pela mistura de culturas aí vivenciadas”¹. Portanto, os baianeiros são duplamente excluídos: entregues ás margens (tanto na esfera estadual como nacional).

Se aqui, lemos Minas, somente como um lugar de montanhas escarpadas e vales férteis e profundos, de ínvios caminhos, eles se vêem nas chapadas estéreis, espaçadas, de amplos horizontes, eles, vêem os Gerais – o sertão; seu ‘entre-lugar’: uma fronteira social indefinida no seu imaginário. Uma região mental entre Minas e Bahia.
Assim, o baianeiro ou norte-mineiro como eles preferem, vai vivendo . “Um sujeito, uma gente, que se quer inteira, mas que não se realiza como tal coletivamente”.


Por conseguinte, enunciar que não se é mineiro, nem baineiro, nem baiano e sim norte-mineiro, é uma tentativa de se reafirmar frente á marginalização que sofrem e a confusão que sentem no campo semântico á nivel de estado e país.

Querem descobrir e definir de que Minas ou Gerais são, e serem respeitados por seu regionalismo distinto, seu lugar social.


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¹João Batista de Almeida Costa
Texto redigido com base no estudo "Fronteira regional no Brasil: o entre-lugar da identidade e do território baianeiros em Minas Gerais.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

A arte de ler


"O leitor que mais admiro é aquele que não chegou até a presente linha. Neste momento já interrompeu a leitura e está continuando a viagem por conta própria".

Mário Quintana


sexta-feira, 10 de abril de 2009

Sexta-feira da Paixão no Brasil

segundo o LUTE (Cartunista, ilustrador e artista plástico).


Só o Humor mesmo pra curar nossa ressaca desse mundo corrupto, poluído, frenético e ambicioso... hipócrita... Amém!

ADENDO: e olha que podia ser pior esse Dia de Malhar Judas no Congresso Nacional. Porque se o Lula não fosse "Ô CARA!", não sei... talvez a malhação poderia ser mais intensa.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

1964 - Golpe, contragolpe ou revolução?*

Por Bárbara K. Moraes de Camargo



A resposta parece estar nesta pergunta.
Apesar de a questão ser considerada ainda obscura, e mesmo depois de transcorridos 45 anos desde a instauração do regime militar no Brasil, eu arrisco dizer que o artigo de Lilia Diniz, baseado nas declarações de especialistas da História brasileira, colhidas de um debate promovido pelo Observatório da Imprensa, dá ao leitor a impressão de que o regime foi uma mescla das três coisas. Foi golpe, contragolpe e revolução.

A ditadura no Brasil foi o resultado do embate de aspirações de vários setores e partidos sócio-políticos do Brasil, que pretendiam e ameaçavam impor suas ideologias e regimes. Foi um período de intensas lutas, todas elas “com tendência ao radicalismo e marcada por uma concepção de política de assalto ao poder". Foi uma colisão de perspectivas e objetivos.

Se as elites políticas da época desprezavam a democracia – buscando o totalitarismo, sob influência da Revolução Cubana de 1959, grupos de esquerda que beberam da mesma fonte, tinham outra intenção política: o socialismo. Aspiravam aos ditames comunistas. Ao contrário dos grupos políticos de elite, que queriam impedir a qualquer custo que o Brasil se tornasse o quintal da União Soviética. Portanto, a ditadura militar teria surgido como estratégia de contragolpe aos setores da esquerda política no Brasil que já em 61, três anos antes do fatídico ano de 64, intentavam a tomada do poder e o estabelecimento de diretrizes socialista para o plano de governo brasileiro. Ronaldo Costa Couto, Doutor em História pela Universidade de Paris-Sobborne lembrou, inclusive, que a “política salvacionista das Forças Armadas vem de longe”. O debelar do Movimento Tenentista e a deposição do ex-presidente Getúlio Vargas (político de características fascistas: paternalista e populista) são exemplos históricos recentes e expressivos que traduzem com muita clareza estas políticas de combate do setor militar aos insurgentes de propostas contrárias aos ideais deste grupo. O próprio episódio da Proclamação da República, em 1889, nos permite fazer uma ponte com o cenário em que se deu a Ditadura e correlacionar as variantes nos dois momentos.


Insatisfeitos com a representatividade do Partido Republicano e percebendo que não conseguiriam alcançar suas metas políticas pelas vias legais - através do voto, os republicanos decidiram concretizar seus planos mediante um golpe militar. Além disso, a intensa propaganda criada pelos republicanos para tentar persuadir a população sobre a necessidade de transformação política – de regime político, não se espraiou pelo território brasileiro, como queriam. O que os levou a pedir respaldo á classe armada, convencendo-a de que não deveria se contentar com a situação militar do governo do Império. Inclusive, Marechal Deodoro da Fonseca, conclamado pelos militares para encabeçar o golpe, foi dissuadido de suas idéias simpatizantes á monarquia para se enquadrar aos planos do movimento. O golpe de 1964 se embasou na mesma estratégia: mobilização ideológica; alienação. Contou com o amplo apoio da sociedade civil e da imprensa, que não representou na época qualquer resistência ou oposição, no início. Segundo o historiador Marco Antonio Villa, "não foi uma quartelada típica da América Latina", pois, “parte da imprensa, tecnocratas e a classe média estavam de acordo com a tomada de poder”. Até o líder sindical mais popular do Brasil, hoje presidente, Luís Inácio Lula da Silva – julgava, na época, o movimento benéfico para o país. Só mais tarde, com o agravamento das medidas cerceadoras e da violência do regime militar, foi que o governo perdeu a confiança e o apoio antes angariados. A grande imprensa, ao contrário dos veículos menores que se reportaram, desde o começo, contra a instauração do regime de exceção, emitindo opiniões contrárias e ajudando a difundir informações criticas só se recuperou do relapso quando se viu coagida pela censura e pela Lei de Imprensa cujos artigos e regimentos, remanescem e se arrastam até os dias de hoje.

O jornalismo brasileiro que outrora colaborou para a tomada de poder pelos militares, aguarda agora a decisão do Supremo Tribunal Federal, por vias democráticas, a exclusão e/ou substituição de artigos estipulados na Lei de Imprensa durante a ditadura e, também, resolução sobre a exigência de diploma para a profissão.

Ironia. Pois, a atividade jornalística e seu instrumento – da livre expressão, tenta se livrar da teia que, ludibriada, ajudou a construir para depois se encurralar. Será que isto explica o silêncio de grande parte das mídias no ano em que a ditadura faz aniversário de 45 anos? E o que dizer da sub-notificação dos 200 anos de imprensa, completados no ano que se passou? Não há o que ser comemorado? É o que podemos subentender? A imprensa seus intelectuais estiveram á venda durante todo este tempo, enquanto a ‘revolução’ jornalística e política não chegava? Parece que sim.

Politicamente, é possível enxergar um teor revolucionário no processo ditatorial de 64, ou seja, a terceira (e boa) designação: esses 21 anos despóticos foram os últimos da história política do Brasil. Foi uma revolução porque deste processo, de medidas extremadas, de limitação de direitos, de controle de expressão artística, violência, totalitarismo político e radicalismo ideológicos, somados a outros fatores, o país conseguiu superar, parcialmente, a submissão da política oligárquica de ‘uns’ para ‘muitos’. A sociedade brasileira encontrou seu poder de emancipação. O cidadão passou a entender sua importância e seu poder de decisão política. Passou a ser pleno, livre e soberano com a transição para a democracia. Acordou de um estado letárgico. A ditadura incitou o desejo de soberania no corpo civil.

O jornalismo por sua vez, também, tirou uma grande lição do processo. As decisões que estão por vir do Poder Jurídico com intuito de desobstruir a atuação do jornalista no país, e dar mais respaldo a sua atividade, junto ao advento da telemática, do jornalismo digital promovendo a diversificação e ampliação das formas de trocas simbólicas entre os indivíduos, só têm a contribuir. Estas mudanças não só podem como estão promovendo a revolução que o nosso meio tanto precisava. Nossa revolução política. Pois o discurso agora está descentralizado, e todos têm potencial para serem produtores de conteúdo e emissores de opinião. A imprensa não corre mais o risco de ‘entender mal’ o teor ideológico dos assuntos que pautam a sociedade, portanto, não correm o risco de irem para o lado ‘chumbo’ da história. Caso a imprensa ou qualquer outro meio jornalístico erre, hoje, terão, com certeza, inúmeras e não só algumas pessoas que pedirão a retificação do erro, apontando o caminho certo.
Salvas a democracia e a revolução tecnológica!

O sonho ainda não acabou..

* texto baseado no artigo de Lilia Diniz publicado em Observatório da Imprensa

Saia do estado de arte!




domingo, 29 de março de 2009

Sobre palestinos e judeus - a verdade é uma só

"O ciclo do ódio precisa ser interrompido" (...)



Por Bárbara K. Moraes de Camargo

Norman Finkelstein, intelectual judeu americano, disse este ano em um artigo que “o desafio é conseguir ver a verdade por trás das mentiras”. Os apressados concluirão que se trata de mais um judeu apregoando contra palestinos. De mais uma troca de acusações infrutíferas entre envolvidos nesta guerra hecatômbica de Estados, sem previsão de final (feliz). Pois, até a desgraça vira clichê, nos dias atuais.
Mas, na verdade, Finkelstein está atirando a crítica para seus conterrâneos. Finkelstein é um judeu americano indignado com a política intransigente dos judeus israelenses e seus aliados. É um judeu favorável a Palestina. E as mentiras a que se refere, são aquelas proferidas pelo Estado de Israel, segundo ele, nos últimos anos para justificar perante a opinião pública mundial, as decisões unilaterais, cerceadoras e violentas contra o povo da Palestina, com quem os israelenses dividem um território desde 1947.

Foi se baseando nesta declaração de Norman Finkelstein – “a verdade por trás das mentiras” que Kaled Amer, da Federação das Entidades Árabes do Brasil e Tânia Abdallha, filha de palestinos, abriram palestra na Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Fumec, dia 17 de março, para explanar sobre o contexto do conflito e como é viver confinado na Faixa de Gaza e Cisjordânia – territórios irrisoriamente pequenos, sob uma guerra velada, quando os ataques não acontecem de forma declarada, oficial e pujante.

As imagens mostradas em slides de PowerPoint corroboraram o quê, até a mídia se furta muitas vezes em mostrar: o Estado palestino, hoje, se transformou em “ilhotas de moradia”. Suas cidades foram entrecortadas por muros e divisões construídas por Israel. Gaza e Cisjordânia representadas em um mapa têm o aspecto de um queijo suíço – todo furado e retaliado. Pois seus territórios não são inteiriços e com fronteiras definidas.
São porções de terra circundadas por divisões de concreto que freqüentemente as dividem ao meio. Isolando famílias e comunidades. Desarticulando a economia do povo. Retirando a soberania pretendida.
Para migrar de um espaço a outro, os palestinos são obrigados a passarem por check points - portões de acesso controlados por judeus e que são verdadeiras guarnições militares – por onde cada palestino deve passar e se submeter a uma revista, muitas vezes ofensiva, se quiser se deslocar pelo seu "país".
Dizer que há segregação étnica no território que deveria ser só de palestinos é redundância. Existem, inclusive, rodovias em território palestino em que somente judeus podem circular. Automóveis palestinos têm suas placas diferenciadas. Além disso, não tem o direito ‘do ir e vir’. Quem está em Gaza, fica retido por tempo indeterminado em Gaza. Em Cisjordânia o dilema é o mesmo. Assim, 4,5 milhões de palestinos vivem. Circunscritos em uma terra bloqueada, sitiada, segregada. Sem muitos direitos, serviços e liberdade.
A fronteira com o Egito, onde os palestinos buscam suprimentos e realizam escambo e trocas comerciais, adquirindo desde colchões até carne e combustível, tem períodos de abertura extremamente racionados, o que compromete o abastecimento da população palestina, que depende inclusive, do diesel para ter acesso a água potável. A água só sai da torneira com eletricidade. E a eletricidade depende de combustível. E, pouco interessa discutir aqui se o boicote é estipulado (unilateralmente) por Hosni Mubarak, presidente egípcio, ou se é uma imposição em parceria com autoridades israelenses. Além disso, as plantações foram dizimadas. O ‘verde’, a arborização tão adorada e cultuada pelos palestinos, praticamente sumiu do mapa, a Palestina é toda ela uma cor de areia - com aspecto desertificado. As Oliveiras, símbolo nacional, foram incendiadas e destruídas em várias partes do território por colonos Israelenses. Existem casos em que a destruição foi registrada por fotógrafos e as imagens que correrão o mundo causaram revolta. Retro-escavadeiras israelenses retiraram até as raízes do solo para evitar o renascimento da espécie.
Campos agrícolas antes pertencentes a palestinos foram isolados e tomados por israelenses que fundaram novas colônias. Cidades palestinas foram implodidas e cidades judias construídas no lugar. Quem não se lembra da pacifista Rachel Corrie, de 23 anos que morreu esmagada por um trator israelense, em 2004, tentando impedir que casas palestinas fossem demolidas em Rafah, na Faixa de Gaza, para a construção do polêmico muro de Israel?

Pra piorar, a continuidade das sanções econômicas promovidas por Israel, Estados Unidos e União Européia, só contribuem para o agravamento da crise humanitária em que a Palestina se encontra. A economia que ainda tenta remanescer, está se pulverizando. Com o embargo imposto por Israel, depois dos ataques no início do ano, o Estado palestino se reduziu a pó, e as pessoas passaram a padecer ainda mais com a falta de comida, suprimento médico, combustível e materiais de construção para soerguer a infra-estrutura local destruída, retomando assim suas atividades comerciais.

Os portos estão fechados para os palestinos, e suas produções proibidas de serem escoadas.
Universidades e prédios públicos foram destruídos.
Foram notificados em blogs e páginas eletrônicas de pessoas ligadas á Palestina, casos em que, crianças atingidas pelos últimos bombardeios israelenses estavam sendo operadas sem anestésicos. Algumas delas tiveram seus membros amputados sem qualquer abrasivo de dor ou suplemento medicamentoso. Mais do que isso. O armamento usado por Israel durante a ofensiva – armas químicas e letais destroçou várias pessoas. Bombas de fósforo; o DIME - Explosivos de Metal Inerte Denso foram lançadas contra seres humanos. Não é palestino. Seres humanos. Civis. Inocentes. Que definharam horas a fio com químicos corrosivos no corpo.

Portanto, não é precipitado e errôneo concluir o que está ocorrendo: é genocídio! Não sou simpatizante a Palestina, nem sou anti-semita. Mas fatos são fatos. Um povo está sendo massacrado. Dizimado e com o consentimento internacional, ainda que anônimos cidadãos espalhados pelo globo manifestem sua contrariedade e revolta com o que está acontecendo. Mas, a não intervenção é uma forma de conformidade.

Não é radicalismo compartilhar a definição conclusiva da palestrante Tânia Abdallha para a situação da Palestina, atualmente: “é uma limpeza étnica o que está ocorrendo”.

Porque todos acham absurda a declaração de um bispo britânico, ligado a corte do Papa Bento XVI, em que negava a existência do Holocausto e poucas autoridades públicas de expressão internacional não se revolta publicamente contra o massacre de palestinos? É tão absurdo abnegar o genocídio de palestinos quanto é negar a limpeza étnica promovida por Hitler durante o nazismo. São crimes, e não existe espaço para contrabalancear versões, argumentos e possíveis justificativas.

Israel não faz concessões nem muito menos respeita as leis internacionais, inclusive aquelas estipuladas pela Corte Internacional de Justiça, órgão máximo da ONU, que estabeleceu que os judeus não têm o direito de ocupar nem um metro quadrado da Cisjordânia nem um metro quadrado de Gaza. Nem tampouco, tem qualquer direito sobre Jerusalém e sobre os bairros árabes. As colônias judias que há na Cisjordânia são ilegais! É como diz Norman Finkelstein: “os fatos mostram que nos últimos mais de vinte e tantos anos, toda a comunidade internacional procura um modo de resolver o conflito das fronteiras de 1967, com solução justa para a questão dos refugiados (palestinos). Será que 164 Estados-membros da ONU estão sempre errados, e certos e pacificistas seriam só EUA, Israel, Nauru, Palau, Micronésia, as ilhas Marshall e a Austrália? Quem é pacifista? Quem trabalha contra a paz?”.

Porque, judeus, um povo que experimentou durante séculos a face da discriminação, da exclusão, do não pertencimento, da dizimação de seu povo, que sofreu com expatriações, infringe, hoje, a mesma guerra insana? Só o Hamas (grupo minoritário radical) no controle político da Palestina pode justificar os mega-atômicos ataques israelenses?

Não é anti-ético pensar que não há dois lados a serem ouvidos.
É crime o que Israel faz e não há contexto histórico e político que justifique tamanhas atrocidades.

Se Israel de fato quisesse e tivesse intenções humanitárias e não meramente bélicas (imperialista) econômicas e religiosas, poderia construir uma política internacional mais arguta, que buscasse o diálogo, a aproximação e a parceria com o palestino. Com propostas que visassem á preservação das riquezas culturais e geográficas da região. Economizando vidas e promovendo progresso em ambos os lados.

Mas o propósito não é esse. A questão é mais complexa. É um problema de ego. O judeu bebeu da fonte do Destino Manifesto americano e nos últimos anos vem sofrendo desta síndrome.

Portanto, devemos parar de sermos cínicos e reconhecer o crime de guerra que está acontecendo. Israel não é a vítima de outrora. É um país pujante, rico e desenvolvido. Se há problemas de terroristas contra seu povo partindo de militâncias radicais palestinas, sejamos solidários á seus problemas. Mas, até o ponto em que suas ações são cirúrgicas, ou seja, visam combater um grupo, isoladamente e de forma correta, sem derrubar uma gota de sangue de inocentes civis palestinos, evitando assim um ciclo vicioso de erros e revolta.

Os Israelenses podiam contribuir com seu povo e o mundo, respondendo de forma diferente aos insurgentes, mostrando que Israel está tentando ajudar o povo palestino, desafogando fronteiras, estimulando pontes e diálogos; criando parcerias e oportunidades de desenvolvimento regional. Não incutindo mais dor, sofrimento, ira e rancor num povo tão judiado. Judiado! (- que palavra, não? Os judeus deviam saber o peso desta expressão.) Tornando a figura do político radical, do segregacionista: boçal, desinteressante e inconseqüente. Mas isso só são devaneios, diriam os espertos do mundo-cão da política, da economia, da religião. “O problema é mais complexo... É um problema secular!”, diriam aos românticos.
No entanto, acho que é uma questão, na verdade, de ceticismo quanto á simplicidade da solução para este problema em contraponto a complexidade do embate, que de tão antigo, contaminado e obscuro chega a obliterar opiniões: A verdade é que o ciclo do ódio tem de ser interrompido. Isso vale tanto para um lado quanto para o outro. Extremismo dos dois lados – homens bomba de um lado e o sionismo de outro devem ser cessados e combalidos, por israelenses e palestinos e por toda a comunidade internacional. A convivência, entre os dois povos, estimulada, e, as gerações mais novas, curtidas em um ambiente menos explosivo. Mentalidades de tolerância e sincretismo devem ser cultivadas. A lógica tribal do olho por olho, dente por dente, enfim, deve ser rompida. De vez.
Por que do contrário, tudo será um eterno derramamento de sangue em terra sagrada.

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sexta-feira, 27 de março de 2009

Uma hora de escuridão para o planeta

A WWF está convocando a população mundial para participar da Hora do Planeta.Inúmeras cidades ao redor do globo já se compremeteram a apagar as luzes durante uma hora (das 20h30 às 21h30), neste sábado (28/03).

Em 2008, 50 milhões de pessoas aderiram a iniciativa. Mais de 370 cidades em 35 países apagaram as luzes e deixaram no breu pontos de visitação e ícones mundiais como o Coliseu (Roma/Itália), a Golden Gate (São Francisco/USA) e a Opera House (Sidney/Austrália).

Este ano, a campanha pretende conseguir a adesão de 1 bilhão de pessoas. No Brasil, além de várias empresas e residências de anônimos, locais públicos e simbólicos terão também sua Hora do Planeta: o Pão de Açucar, o Cristo Redentor e a orla de Copacabana, no Rio de Janeiro; o Parque do Ibirapuera, o estádio do Pacaembu, o Teatro Municipal, em São Paulo prometerão ficar no breu neste sábado. Além de marcos e edificações em Curitiba, Manaus e Brasília.

Quem quiser apoiar a causa pode se cadastrar no site da WWF e obter mais informações sobre o histórico e o funcionamento desta gigante mobilização, que busca disseminar a conscientização e incutir o sentimento de responsabiliadde e zelo por este mundão maravilhoso.


Não existe mais opção, a não ser contribuir! Participe!

Assista o vídeo da campanha:
http://www.youtube.com/watch?v=aeYugbX8YDU



Hora do Planeta
8:30PM Saturday 28 March 2009